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Rede Manchete: O cometa que fez estrago



Foto: Montagem com artistas e programas que marcaram a história da emissora. Imagem disponível no site da Rede Manchete.


Por Israel de Mendonça


A Rede Manchete foi uma emissora de TV aberta que marcou a história televisiva do Brasil, ela estreou no ano de 1983 e, inicialmente, o seu público alvo era as classes A e B. Mas rapidamente a rede diminuiu um pouco esse foco nessas duas classes e popularizou mais a sua programação, passou a atingir mais camadas sociais e por consequência marcou uma geração.


O início:


Voltando um tempo antes da sua inauguração, a história da Manchete se cruza com o legado da TV Tupi. A primeira emissora do país encerrou suas transmissões em 1980 após o governo João Figueiredo não renovar a concessão da emissora. No mesmo ano, após a falência da Tupi, foi aberto um edital para serem criadas duas novas emissoras compostas pelos canais que haviam sidos extintos, TV Continental, Excelsior e Tupi.


As negociações perduraram até o ano de 1981, quando os empresários Silvio Santos e Adolpho Bloch ganharam o processo. O dono do baú colocou no ar o SBT logo após o veredito do último presidente da ditadura militar, foi ao ar a assinatura do documento que selava a criação da emissora. Já Adolpho foi mais cauteloso e preferiu estruturar mais a inauguração de sua emissora, que só estreou no ano de 1983.


Globo e novelas:


A Manchete se notabilizou por ser uma rede de televisão ousada, que, aparentemente, não calculava os riscos de uma determinada decisão. Mas, apesar de tudo, foi essa ousadia que marcou a história da rede.


Em 1984, apenas um ano após a inauguração, a rede transmitiu o Carnaval daquele ano. A Globo encontrou dificuldades para negociar os direitos de transmissão do evento com o governador e Leonel Brizola, a Manchete apareceu como uma opção viável e ganhou a disputa. Naquele ano de 1984 era a inauguração do Sambódromo e, além disso, se iniciava o racha entre Roberto Marinho e Adolpho Bloch. A rede carioca havia procurado a Manchete buscando negociar e ambas transmitirem o evento, mas Adolpho não quis nem papo e ignorou a Globo. A emissora paulista foi líder absoluta de audiência no horário do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.


A Globo ajudou a Manchete a entrar no ar e ambas tinham acordo para não concorrer pelo mesmo público e mercado. Um desses acordos era a não produção de teledramaturgia, mas esse acordo foi quebrado em 1984 com a produção da minissérie Marquesa de Santos, tendo como personagem principal Maitê Proença.


Porém, a primeira produção de sucesso foi a novela Dona Beija de 1986, interpretada pela mesma atriz da minissérie. A partir daí a Manchete veiculou grandes folhetins, a exemplo de Xica da Silva e Pantanal, essa última foi a principal novela produzida pela emissora e ganhou um remake no ano de 2022 realizado pela TV Globo.


Mas a mesma errou feio em produções como, por exemplo, Amazônia que buscou reproduzir fielmente o sucesso de Pantanal e a Novela Brida que conviveu com a adesão de atores a greve promovido pelos demais funcionários da empresa e a não conclusão da trama.



Destaque no jornalismo e desenhos:



Outros destaques da Manchete eram os desenhos e o jornalismo. Um programa infantil memorável foi o Clube da Criança com apresentação de Xuxa entre os anos de 1983 e 1986, outra apresentadora infanto-juvenil que comandou a atração foi Angélica que ficou no programa entre 1988 e 1993. Angélica ainda apresentou o programa musical Milk Shake.


Produções orientais foram marca registrada da emissora e deu o “pontapé” inicial para esse gênero no Brasil. A Manchete transmitiu a série japonesa Jaspion que levou a rede a vice-liderança no país, a atração japonesa abriu as portas para a Manchete apostar alto nesse tipo de produto. Pouco tempo depois, a Manchete veiculava o anime Cavaleiros do Zodíaco, outra produção que marcou a infância de muitos brasileiros.


Além da teledramaturgia e da programação infantil, a rede de televisão apostava fortemente em seu jornalismo. Os repórteres costumam dar “furos de reportagem”, jargão jornalístico, quando se veicula uma notícia com exclusividade. A contratação de Leila Cordeiro e Eliakim Araújo, apresentadores do Jornal da Globo até 1989, marcaram a transformação do Jornal da Manchete. 


O telejornal da emissora paulista se tornou mais dinâmico e com uma linguagem acessível ao público. Ademais, tinham o intuito de mostrar com mais profundidade os acontecimentos do dia. Por conta disso, o Jornal da Manchete era o mais duradouro da TV brasileira, chegando a ter quase duas horas de duração.


O fim:


O auge da Manchete foi entre os anos 1989 e 1992, quando a emissora passou a enfrentar uma crise financeira. No mesmo ano de 1992, Adolpho Bloch chegou a vender parte da emissora para o Grupo IBF, no entanto, em 1993, o ex-presidente Itamar Franco cancelou a venda da emissora e Bloch reassumiu o controle administrativo da rede.


A partir desse momento a Manchete viveu altos e baixos até as suas concessões serem vendidas para o empresário Amilcare Dallevo em maio de 1999, no mesmo ano Dallevo e Marcelo de Carvalho fundaram a RedeTV!. Vale frisar que, além da péssima administração, a exemplo do alto investimento na novela Amazônia, a Manchete conviveu por muito tempo com a instabilidade financeira do Brasil. A emissora ficou por 16 anos no ar, foi um cometa, mas causou muito estrago e marcou a história da TV brasileira.







Referências Bibliográficas:


https://manchete.org/historia/


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