Pular para o conteúdo principal

Série As Diversas Pandemias do Brasil: Racismo velado ou escancarado? Eis a questão

Pessoa segurando uma faixa em um protesto contra o racismo. Foto: Disponível na internet.


Por Israel de Mendonça


Desde o “descobrimento”, o Brasil sofre com a questão do racismo. A nossa história é marcada pela escravidão, principalmente do povo africana que vieram forçadamente para o território tupiniquim. Esse passado acarreta problemas estruturais no nosso presente, incluindo a segregação e a opressão a etnias que são consideradas inferiores.


O Brasil foi o maior território escravista do hemisfério ocidental, sendo o último país a abolir a escravidão e também o último a acabar com o tráfico negreiro no mundo. Logicamente, essas questões marcam a sociedade brasileira, discriminação por aparência física, estereótipos e preconceitos marcam o lastimável histórico do racismo contra a população preta, parda e indígena no Brasil.


Vale ressaltar que na segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX circularam no território brasileiro a tese do embranquecimento da população. No passado, o padrão europeu (branco) era considerado o “melhor padrão” para a humanidade. Essa vertente se espalhou pelo mundo e essa tese virou política no Brasil, governos implementaram essa teoria visando que o panorama de raça mudaria em aproximadamente um século. Tradicionalmente o Brasil tem uma nação miscigenada e, atualmente, com o predomínio de pessoas pretas e pardas.


Segundo a pesquisa realizada pelo Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec) neste ano, 81% dos entrevistados disseram que percebem que o Brasil é um país racista, sendo que 60% desse público afirmaram totalmente que há racismo e 21% concordaram parcialmente.


Esclarecimentos de conceitos:


Racismo estrutural: Consiste na valorização de uma determinada etnia como padrão e menospreza as demais, caracterizando em um longo processo de discriminação a um povo específico. Vimos na breve história do Brasil contada nesse texto que o nosso país tem um grave processo de racismo estrutural.

Racismo institucional: Empresas privadas e públicas que promovem a desigualdade e a exclusão de grupos sociais. Vemos que uma minoria de negros e indígenas ocupam grandes cargos nas empresas e esse e os demais grupos recebem menos do que pessoas brancas.


Injúria racial: Condiz na ofensa à dignidade de um indivíduo ou ao decoro de alguém, ataca diretamente a raça, etnia, crença, cor, idade ou deficiência de uma pessoa. O crime de racismo é direcionado a um grupo, sendo um crime inafiançável e imprescritível, já a injúria é direcionada a apenas a uma pessoa. 


Democracia racial: É um conceito que condiz na inclusão de todas as raças e garante os mesmos direitos a oportunidades. Temos um sério problema com esse conceito.


Pontos:


Desde já, quero dizer que não vivemos uma democracia racial, temos diversas leis que compõem as leis antirracistas no Brasil, entre elas as leis 7.716 de 1989 e a 12.711. Que são as leis de crimes de preconceito e cor e leis de cotas, respectivamente. O mito da democracia racial mascara o racismo existente no Brasil e tarda o combate contra o racismo.


Outro mascaramento é o racismo velado, ele é altamente presente no nosso cotidiano, como, por exemplo, brincadeiras e expressões de cunho racista. Em dezenas de casos elas passam batidas pela nossa sociedade, com expressões do tipo: “ovelha negra” e “eu não tenho nada contra negros, inclusive, meu melhor amigo é negro”. 


Quando estamos em nossas bolhas, raramente nos questionamos quando um amigo fala essas besteiras ou nos questionamos quando falamos os termos racistas. Pensamos no conjunto do racismo, mas não em nossas ações individuais do dia a dia e em falas cotidianas. Precisamos começar com a mudança do indivíduo para depois pensarmos em ações para combater o racismo no Brasil, que não é velado, o racismo é praticado de forma escancarada.







Referências bibliográficas:


https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/racismo-no-brasil.htm 


https://www.poder360.com.br/pesquisas/60-dos-brasileiros-afirmam-que-pais-e-racista-diz-ipec/


https://www.jota.info/jotinhas/racismo-no-brasil-o-que-e-o-racismo-estrutural-injuria-racial-e-democracia-racial-17052022 

https://www.camara.leg.br/tv/548017-o-racismo-velado/ 


https://www.al.es.gov.br/Noticia/2021/03/40555/racismo-velado-e-desafio-social-e-juridico-no-pais.html 


https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/tese-branqueamento.htm 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TV Tupi: Dramas e glórias

Foto: Logo da TV Tupi, imagem disponível na internet.  Por Israel Mendonça Assis Chateaubriand foi um renomado jornalista e empresário, fundador da primeira emissora de TV do Brasil, a TV Tupi. No século passado, Chatô detinha diversos veículos de comunicação, dentre eles rádios, jornais, revistas e emissoras de televisão. Todas as empresas do empresário faziam parte dos Diários Associados, um dos maiores núcleos de comunicação do século XX comandado por Chateaubriand. A escolha do nome TV Tupi foi porque o dono da emissora era um admirador dos primeiros habitantes do Brasil, os índios. O nome Tupi foi utilizado em outro veículo de comunicação que Chatô possuía, a Rádio Tupi. A rádio está no ar até os dias atuais, tendo mais de 80 anos de história. A pioneira estreou no dia 18 de setembro de 1950, nas instalações da Rádio Difusora de São Paulo. Provisoriamente, a emissora ocupou o espaço de tênis que a estação de rádio possuía, que mais tarde, passou a ser a sede da Rede Tupi na ci...

Rádio Globo: Do tradicional para o moderno

Foto: Logos da Rádio Globo, antiga e a nova, respectivamente. Imagens disponíveis na internet. Por Israel Mendonça A Rádio Globo por muito tempo foi uma estação que seguia o estilo talk de programação, a exemplo da Rádio Tupi. Porém nos últimos tempos ela mudou o seu estilo de atração, focando mais em músicas e no público mais jovem. Essa mudança causou estranhamento na época da mudança, mas vamos aos poucos. História da emissora: A emissora estreou no dia primeiro de dezembro de 1944, a transmissão inaugural foi no Theatro Municipal, esse local foi a sede da rádio no início. Ao longo desses quase 80 anos de história, a Globo cobriu diversos eventos marcantes, a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e o fim do Estado Novo (1937-1945), são exemplos. Nos seus primeiros anos, a Rádio Globo possuía músicas em sua programação, mais especificamente do gênero clássico, diversos programas musicais foram realizados. Porém o grande foco da emissora era o radiojornalismo, a rede era uma espécie ...

Carnaval: Saiba um pouco mais sobre uma das principais festas populares do Brasil

Foto: Desfile na Marquês de Sapucaí, imagem disponível na internet  Por Israel Mendonça Nesse fim de semana começam os desfiles das escolas de samba no estado do Rio de Janeiro. Nos dias 17 e 18 acontecerão os desfiles das agremiações da Série A do carnaval carioca e nos dias 19 e 20 passarão pela Marquês de Sapucaí as escolas do Grupo Especial. Contexto Histórico do Carnaval: Diferentemente de hoje em dia, o Carnaval era uma festa religiosa. O Carnaval é uma das formas de celebrações em massa mais antigas do mundo, e grande parte dos festejos foram realizados pelos gregos em homenagem ao deus do vinho e outros deuses mitológicos. Os romanos optaram por dar continuidade aos festejos em homenagem a Baco e Saturnália, os homens passavam o dia todo embriagados na folia e no final, seguindo a tradição, os soldados e mestres trocavam as suas roupas. Com o passar do tempo, a Igreja Católica Romana transformou o Carnaval em uma festa que antecede a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia d...