Por Israel Mendonça
O ano passado foi um ano complicado para os realities, o sucesso do período de pandemia não se repetiu e os elencos formados não propiciaram o envolvimento do público.
Audiência dos principais realities:
Começando pelas atrações da Record TV, o Power Couple Brasil e A Fazenda ouveram diversas confusões e tiveram embates entre os competidores, porém o excesso de conflitos afastou parte do público e isso afetou na audiência e repercussão nas redes sociais. O Ibope geral de A Fazenda 14 teve média de 7,3 pontos, o pior índice de audiência desde que a atração estreou na TV. Já o Power Couple também bateu recorde negativo de audiência, registrando média de 4,8 pontos.
O BBB é o principal reality-show do Brasil, porém após o sucesso estrondoso das edições 20 e 21, a atração ficou muito abaixo do esperado. Podemos considerar que o fator pandemia contribuiu para a audiência das edições anteriores, Grande parte da população ficou isolada por conta do vírus da Covid-19. O BBB 22 sofreu com o retorno do povo à "vida normal" e, além disso, o elenco formado não estava disposto a gerar conflitos e fazer o jogo andar.
Vimos exemplos de realities com propostas inversas mas com a mesma finalidade. Os realities show devem buscar o equilíbrio entre a calmaria e o conflito, tentar atrelar os dois extremos para não afastar os telespectadores e ser uma atração mais orgânica de se acompanhar.
Desgaste do formato reality show:
Esse tipo de programa ainda é relevante para os cidadãos, no entanto, até os realities shows passam por dificuldades. Um fator que precisa ser considerado é a mudança de público, muitos não acompanham a atração desde a primeira edição, um dos grandes competidores é o meio streaming. Hoje em dia as pessoas possuem outras formas de se entreter, e os realities sofrem com a fuga de telespectadores.
De maneira geral, a pandemia de Covid-19 foi benéfica para o formato, além do streaming, os realities se tornaram uma nova opção de entretenimento. Porém com o retorno do convívio em sociedade e escolhas de participantes que não fizeram o jogo andar nas diversas edições de realities contribuiram para o formato desgastado voltar a ficar ameaçado.
Todo ano tem uma nova edição de vários realities show no Brasil, a exemplo de Masterchef, De Férias com o Ex e No Limite, no entanto o público já imagina o que irá acontecer no programa, expectativa de discussões, provas que não impressionam e preparação de receitas. Esse formato de atração peca na ausência de novidade, são modelos que não proporcionam ao público o inesperado, o que muda são os participantes apenas.
Os realities shows precisam ser reformulados se quiserem ter mais tempo de vida na televisão. Um exemplo recente no debate político foi o novo modelo que a Band idealizou, dando mais tempo e mobilidade aos candidatos. O sucesso e o imprevisível marcaram esse modelo de debate, até a Globo mudou às pressas o jeito do seu segundo debate para a presidência do Brasil. É difícil acreditar que um formato muito consagrado esteja passando por dificuldades, porém se até o Vídeo Show um programa histórico da tv brasileira não está mais no ar o que custa um formato defasado deixar de ser produzido?
Referências:

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