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As Diversas Pandemias do Brasil: A sombra do brasileiro é a economia

Foto: Banco de imagens do Canva


Por Israel Mendonça

Hoje se inicia uma série de seis textos que irão ser publicados na última semana de cada mês, previsto para terminar em agosto. Logicamente, ao delimitar os temas da série, deixaremos outros assuntos de fora, é claro que outros temas têm a sua importância, porém não dá para abordar todos. O primeiro tema abordado pela série será a economia, iremos trazer um pouco da história para entendermos o cenário econômico atual. 


História econômica do Brasil:


Ciclo do Pau-Brasil:

Podemos considerar o ciclo do Pau-Brasil a primeira atividade econômica do país. De início, os indígenas ajudaram os europeus na retirada das árvores que era mais abundante no litoral brasileiro, em troca, recebiam espelhos, bijuterias, e outros artefatos. Apesar da ajuda inicial, os índios foram escravizados logo em seguida, além disso, o ciclo do Pau-Brasil é considerado o primeiro desmatamento intenso que a terra tupiniquim sofreu.

Ciclo da Cana-de-Açúcar:

O ciclo da cana-de-açúcar começou no século XVI e perdurou até o final do século XVII. A terra do Nordeste era muito fértil para a atividade econômica e o clima tropical contribuiu para o cultivo, no entanto, o destaque foi para o estado de Pernambuco. As cidades de Recife e Olinda foram grandes produtores de cana-de-açúcar, o estado possuía infraestrutura superior a outras metrópoles da época.

Através dessa atividade o Brasil começou a se desenvolver na área urbana, durante o período, o açúcar era visto como um bem extremamente valioso. A escravidão africana se prolongou até o ano de 1888, quando foi abolida, então, o cultivo da cana-de-açúcar era mantida pela mão-de-obra escrava, principalmente a negra. O Ciclo do Café e o Ciclo do Ouro exploraram bastante a escravidão para manter essas atividades econômicas. 

Ciclo do Ouro:

Na transição do século XVII para o XVIII, a cana-de-açúcar passou a não dar mais lucro como antes, e assim, uma nova atividade começou a despontar. O ouro foi descoberto na Região Sudeste, mais ricamente no estado de Minas Gerais. Muitos moradores locais conseguiram enriquecer com o Ciclo do Ouro.

Ciclo do Café:

O Ciclo do Café despontou no século XIX, e possui duas fases. A primeira foi no Vale do Paraíba (RJ) e a segunda no Oeste paulista, a "terra roxa" do solo paulistano foi fundamental para a segunda fase cafeeira, já que a terra era mais fértil do que a carioca.

O café era o produto mais exportado do país na época, e corroborou para o investimento na indústria, que começou a ser intensificada a partir dessa atividade. Apesar da Abolição da Escravidão em 1888, a atividade continuou utilizando a mão-de-obra escrava para continuar a produção de café. O ciclo entrou em crise no ano de 1920.

Industrialização:

A indústria teve um grande "boom" no século XX, incentivada por planos ambiciosos de industrialização, a exemplo do plano 50 anos em 5 do ex-Presidente Juscelino Kubitschek. Dessa forma, o processo industrial tomou o protagonismo da agricultura que era predominante no país. No entanto, para tal feito, a exportação do café foi fundamental para o processo.

Atividades econômicas atuais:

Além da indústria, o agronegócio dita a economia nacional. Se antes a economia era direcionada apenas a um produto, agora a produção de matéria-prima é variada. Ambas atividades econômicas abrangem três setores: primário, secundário e terciário.

Apesar do Brasil ser considerado uma das maiores economias do mundo e a maior da América Latina, os índices sociais evidenciam que o Brasil ainda está na categoria de país emergente.


Moedas do Brasil:

Desde o período colonial, o Brasil teve sete moedas e nove trocas de padrão monetário. Idas e vindas de moedas que já haviam circulado no país marcaram parte dessa história. A causa dessas mudanças é apenas uma, a inflação.

Réis - Do período colonial até 1942:

O Réis foi a moeda que mais circulou no país, cerca de 400 anos, antes do Brasil virar colônia portuguesa, o país não tinha um padrão monetário. No início, o comércio era mantido pelo sistema de trocas entre indígenas e europeus, são exemplos o Pau-Brasil e os panos de algodão. As primeiras moedas que rodaram por terras tupiniquins foram trazidas por estrangeiros. 

O padrão monetário era o mesmo da metrópole portuguesa, o real. Os reais ficaram populares pelo nome réis. Apesar da Proclamação da República e da Independência do Brasil, o réis permaneceu sendo a moeda oficial do país, somente a estética das cédulas mudaram.

Cruzeiro - Três momentos:

A primeira fase do Cruzeiro foi de 1942 até 1967, sendo essa a primeira troca de moeda e padrão monetário desde quando o Brasil virou colônia de Portugal. Implantada na ditadura do Estado Novo, no governo do ex-Presidente Vargas, a chegada da então moeda retirou de circulação cerca de 56 células. 

Após receber uma reformulação monetária, o Cruzeiro voltou a ser a moeda oficial do Brasil. De 1967 até 1970 o Cruzeiro Novo foi a moeda transitória até o Cruzeiro ser novamente implementado no país. O segundo retorno do Cruzeiro durou de 1970 até o ano de 1986.

O terceiro retorno do Cruzeiro marcou o Plano Collor, pela última vez a moeda entrava em circulação no Brasil, permanecendo de 1990 até 1993. A volta desse padrão monetário foi uma estratégia para controlar a grave crise econômica, caracterizada por muita instabilidade e uma hiperinflação de 1700% ao ano.

Cruzeiro Novo - De 1967 até 1970:

Esse padrão monetário foi uma moeda transitória até o retorno do Cruzeiro, ficando temporariamente em circulação. Devido a alta inflação de 25% do Cruzeiro, esse padrão monetário foi implementado para tentar estabilizar a economia da época. Após o Cruzeiro ter recebido a sua segunda reformulação em 1970, o Cruzeiro Novo deixou de ser a moeda oficial do Brasil.

Cruzado - De 1986 até 1989:

Com a astronômica inflação tirando o poder de compra da população, o Cruzeiro estava desvalorizado após ter recebido a sua segunda reformulação monetária. Após o falecimento do ex-presidente Tancredo Neves, o seu vice José Sarney assumiu a presidência e idealizou o Plano Cruzado, a moeda não estabilizou a economia brasileira e saiu de circulação ainda no governo do ex-Presidente Sarney.

Cruzado Novo - De 1989 até 1990:

Apesar de ter entrado pouco tempo em circulação, o Cruzado não foi capaz de estabilizar a economia da época. A segunda reforma monetária do governo Sarney foi marcada pelas primeiras eleições diretas para a presidência após a ditadura militar. Fernando Collor foi eleito presidente, o Cruzado Novo saiu de cena e o Cruzeiro voltou a ser a moeda oficial do país pela terceira vez.

Cruzeiro Real - De 1993 até 1994:

Fernando Collor deixou o cargo de presidente no intuito de não ser impeachmado, porém a estratégia não deu muito certo. Após a renúncia, Itamar Franco tomou posse do executivo e uma nova reforma monetária estava se aproximando.

O Cruzeiro Real substituiu o Cruzeiro que estava em circulação pela terceira vez no Brasil, entrando em cena com o corte de três zeros em relação à moeda anterior. Esse corte caracterizou todas as moedas que circularam no país, levando em consideração o padrão monetário anterior.

Real - De 1994 até os dias atuais:

Desenvolvido por Fernando Henrique Cardoso (FHC) então Ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, o Plano Real estabilizou a economia brasileira depois de diversas trocas de padrões monetários. Inclusive, o Plano Real foi importante para FHC se tornar presidente do Brasil.

O plano adotou medidas de ajustes fiscais, implementou a Unidade Real de Valor (URV), uma moeda virtual atrelada à cotação do dólar, além da criação do Real.

Durante esse tempo notas saíram de circulação e novas surgiram a exemplo das notas de um real e de duzentos reais, respectivamente. O Real foi o único que se consolidou desde que o réis deixou de circular no país, tendo quase 30 anos de vida.

O Real acabou desvalorizando perante o dólar e a inflação aumentou com o passar do tempo, porém não existem debates sobre a troca desse padrão monetário. 


Neoliberalismo no Brasil:

Nos anos 1980, o Brasil sofreu com alta inflação e instabilidade financeira, sendo esse período denominado como "a década perdida". O modelo neoliberal no país teve início durante o governo do ex-Presidente Fernando Collor. O mandatário buscou formas para controlar a inflação, e assim, as primeiras características desse modelo começaram a aparecer. Além da criação de um novo projeto monetário, o Plano Collor foi marcado por privatizações e aberturas do mercado nacional e mudanças de leis trabalhistas.

O Brasil participou da criação do bloco econômico Mercado Comum do Sul (Mercosul) a fim de abrir o mercado brasileiro para o mundo. Mesmo com essas medidas, a inflação do Brasil não foi controlada e Collor sofreu impeachment após denúncias de corrupção em seu governo. O modelo neoliberal só se consolidou no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), idealizador do Plano Real.

Com a chegada de FHC na presidência o Estado muda de papel totalmente, deixando de ser um Estado desenvolvimentista e passando a ser um Estado regulador. Diversas agências reguladoras foram criadas no intuito de ditar regras para as novas empresas que passariam a atuar no país.

Após os procedimentos, o neoliberalismo se consolidou no Brasil e mais ações neoliberais foram realizadas. Novas privatizações foram feitas, houve uma redução de 20% no quadro de funcionários da época a nível nacional e estadual. Para realizar as demissões em larga escala, o adiantamento da aposentadoria e a demissão foram estratégias utilizadas. Dessa forma, trabalhadores e serviços começaram a ser terceirizados. As consequências causadas pela política neoliberal podem ser percebidas até os dias atuais.


Inflação:

A inflação tem impacto direto na vida do consumidor, ela é resultado do aumento do preço de bens e serviços. Os fatores que resultam na elevação da inflação podem ser econômicos, culturais e políticos. Sua principal consequência é a diminuição do poder de compra dos cidadãos, resultando no empobrecimento da população. Além dos fatores internos, ocasiões externas podem afetar a economia de um país, por exemplo: a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Tipos de inflação:

A inflação é dividida em três critérios essenciais, envolvendo fatores como capacidade de produção, oferta de produtos e poderio de compra das pessoas.

1 => Inflação por demanda: É causada pela alta procura de um determinado produto que, por ineficiência de produção em larga escala, acaba ficando em falta no mercado. Portanto, esse produto acaba sofrendo um reajuste de preço, justamente por conta da ausência abundante. Um exemplo atual é o leite, sendo ele um dos mantimentos mais inflacionados do mercado brasileiro.

2 => Inflação por custo: Resultada pelo aumento dos custos de fabricação e/ou operação do produto, como transporte, energia, matérias-primas, e outros. O aumento de custo é repassado ao consumidor, dessa maneira, gerando a elevação de preços de mercadorias e serviços básicos. Um exemplo recorrente na vida da população é o reajuste das passagens dos transportes públicos.

3 => Inflação estrutural: É marcada pelo aumento de preço por carência de estrutura dos locais, transporte de alimentos, precarização dos locais de armazenamento e outros mecanismos fundamentais para a produção e distribuição de mercadorias ao consumidor. Por exemplo: a greve de caminhoneiros afeta diretamente o mercado, os mantimentos não chegam às prateleiras, assim, os produtos inflacionam.


Impactos Sociais:

Com a inflação descontrolada a população sofre com as suas consequências. Além da elevação dos níveis de pobreza e diminuição do poder de compra, a qualidade de vida do cidadão fica restrita ao que ele pode pagar, a oferta de emprego é menor e a concentração de renda é ampliada.

A solução para os problemas surgidos pela inflação é a atuação direta de agentes públicos. A alternativa mais utilizada é a elevação da capacidade produtiva, tendo a finalidade de abastecer o mercado com mercadorias, resultando na diminuição dos preços e de menores impostos sociais.

Assim, os frutos dessa política pública vão além dos resultados econômicos, causando impactos diretos na vida do cidadão, a exemplo de maior acesso a produtos e diminuição da fila do desemprego. No Brasil, a inflação é medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).





Referências:

https://brasilescola.uol.com.br/brasil/economia-brasil.htm

https://querobolsa.com.br/revista/dos-reis-ao-real-quantas-moedas-o-brasil-ja-teve

https://www.todamateria.com.br/neoliberalismo-no-brasil/

https://mundoeducacao.uol.com.br/matematica/inflacao-desvalorizacao-poder-compra.htm

ateria.com.br/neoliberalismo-no-brasil/

https://mundoeducacao.uol.com.br/matematica/inflacao-desvalorizacao-poder-compra.htm


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